Aos 2 anos, ela já gostava de brincar de se maquiar. Não é de impressionar, então, que nem bem tenha entrado na casa dos 20 anos, Malía já saiba bem o que quer. Carioca da Cidade de Deus, a cantora arrebata mais de 280 mil seguidores no Instagram com sua voz poderosa e looks cheios de personalidade.

Seja no palco ou nas ruas, no dia ou na noite, ela não hesita em afirmar e repetir: "Por que ser uma se eu posso ser várias?". Curioso para saber mais dela? Vem que entrevistamos Malía para saber tudo sobre seu estilo, sua música e, claro, sobre o que, para ela, é viver a moda.

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Qual a importância da moda na sua vida hoje?

M: A moda, para mim, sempre foi muito importante, porque, desde cedo, em casa, minha mãe sempre falou sobre amor próprio. Eu, por exemplo, nunca alisei o cabelo na vida e eu conto isso com muito orgulho. Hoje, eu uso vários cabelos e várias roupas de estilos diferentes porque eu me sinto livre o suficiente. Não porque eu quero ser outra pessoa, mas porque eu entendi que eu sou bonita do jeito que sou e eu posso ser o que eu quiser. Isso permeia todo o meu trabalho, minha música, quem sou eu e eu me sinto muito grata à minha mãe e à moda por estarem comigo por toda a minha vida.

Como foi o processo para você ter essa liberdade com a moda que você tem hoje?

M: Meu processo para entender que eu poderia ser quem eu quisesse na hora que eu quisesse foi bem dolorido, porque as pessoas ainda não estão preparadas para entender a liberdade do próximo. Hoje, falamos muito sobre liberdade, sobre temas muito importantes, mas a gente precisa implementar, de fato, no nosso dia-a-dia, a ferramenta da liberdade e isso é difícil. Quando eu era pequena, eu entendia que meu cabelo era lindo do jeito que ele era, mas, quando eu chegava na rua, as pessoas não achavam o mesmo. Eu comecei a perceber que isso não partia de mim, da minha casa, dos meus costumes. Isso partia do outro, que não entendia sobre respeito ao próximo, do que é ser livre. Porque quando o outro se limita ele também me limita. Por isso é um processo bem difícil tentar se entender e ser livre dentro de todas essas limitações.

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Como você definiria a sua relação de liberdade com a moda?

M: A gente, enquanto povo, está em um processo de busca pela liberdade. Procurar pela liberdade é um ato de resistência. Viver bem e feliz é um ato de resistência. Ser quem você é, reafirmar isso, estar nos espaços se posicionando, mesmo como alguém leve, tem a ver com moda e com resistência também. Eu diria que é um processo difícil, mas que vale muito a pena, porque eu me sinto muito bem sendo eu mesma. Eu quero que as pessoas entendam, respeitem e se coloquem nesse lugar de repensar sua própria liberdade - quem são, quem querem ser e que tudo bem ser o que quiserem.

Qual o tipo de moda que você acha que te representa?

M: É difícil dizer a moda que me representa, porque muita coisa me representa e é complicado rotular. As pessoas me perguntam "Malía, o qual gênero você canta?" e eu respondo "Eu canto música.". A moda que me representa é a moda que eu acordei e quero usar naquele dia. Eu me sinto muito camaleoa, mudando diariamente e sempre passando por coisas diferentes. Toda moda me representa desde que eu me sinta bem.

Como é para você o processo de escolher o que você vai vestir no palco?

M: Eu me sinto uma pessoa naturalmente artística. Eu sempre gostei de me vestir. Quando eu tinha dois anos, perguntavam para a minha mãe porque ela me maquiava. E ela respondia que eu tinha feito sozinha. Eu já passava batom, eu já me maquiava. Desde pequena, meu sonho é ser drag. E a música também sempre foi algo muito natural na minha vida, minha educação musical sempre foi muito forte. Por isso, para mim, moda e música sempre andaram em conjunto.

Quando eu vou para o palco, não é diferente. No palco, o que eu visto tem de estar completamente ligado ao que eu estou sentindo, porque isso vai ter a ver com o que estou cantando. Eu posso cantar a mesma música e vestir a mesma roupa, mas, em dias diferentes, meus sentimentos serão diversos e eu serei outra pessoa. E eu gosto de lidar com isso, com as várias “EUs” que existem dentro de mim. Isso para mim está muito presente e é muito natural, por isso é leve. Creio que já existem muitas coisas difíceis para lidarmos no dia-a-dia e na nossa sociedade e que, essa relação com o meu “eu” tem de ser leve, tem de estar em paz. Com a roupa não é diferente: o que eu sinto, transborda em mim.

Você acha que a moda tem a capacidade de mudar o seu humor?

M: A moda tem a total força e capacidade de mudar o meu humor. Se eu não estiver me sentindo bem com a roupa que eu estou, isso vai transparecer, porque eu sou uma pessoa muito transparente. Se eu não gostar da minha roupa, isso pode afetar o meu dia. A moda está diretamente ligada a quem eu sou e ao que eu quero passar. E o que eu quero passar, para mim, é o meu propósito.

A música é o meu propósito e a moda anda junto com isso. Porque eu quero falar sobre muitas coisas e a moda e a música são ferramentas para isso. Às vezes as pessoas chegam para mim e dizem “Mas sua música empodera? O que você veste empodera?”. Eu não diria que empodera, mas que conscientiza. Digo isso porque empoderar significa “dar poder” e eu não dou poder para ninguém. Eu conscientizo as pessoas que elas detêm o poder dentro delas e que existem ferramentas com as quais elas podem usar esse poder, que são a moda e a música.



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Quem te inspira dentro da moda?

M: Tanto dentro da música como da moda, o que me inspira são pessoas reais que contam suas histórias através da sua fala, da sua roupa e da sua linguagem corporal. O que eu vejo nas ruas me inspira: eu amo caminhar e isso já me inspira muito. Madureira (bairro carioca), Rio de Janeiro, Cidade de Deus (bairro carioca) me inspiram. Eu faço questão de colocar isso dentro do meu trabalho, porque enxergo como algo muito grandioso e que eu gosto de valorizar. Eu também prezo muito pela naturalidade – a fluidez e a leveza de vestir algo que é natural para você transparece. E, ao mesmo tempo que a rua tem essa naturalidade, ela tem a complexidade de todos os assuntos que discutimos diariamente, mas com sagacidade e originalidade. A minha mãe, como pessoa resistente dessa questão do amor próprio, e a minha música também me inspiram na hora de me vestir.

No Viva a Moda, você escolheu destacar a frase “Por que ser uma se eu posso ser várias?”. Por que você escolheu essa frase e o que ela representa no seu atual momento de vida?

M: A frase “Por que ser uma se eu posso ser várias?” está na minha vida, eu diria, desde que eu nasci. Como eu nunca alisei o cabelo, eu sempre fiz muitos penteados. Eu comecei a gostar disso, a gostar de ser diferente. Eu também não tinha grana para comprar roupa. Eu ganhava das minhas tias e usava o que tinha. O meu estilo, eu acho, vem muito disso. Eu gostava de ser diferente e, hoje em dia, quanto mais eu estiver diferente, eu me sinto mais feliz. Eu brinco que eu gosto de ser estranha. Porque o estranho causa uma curiosidade no próximo, é uma disruptura que faz o próximo pensar e eu gosto disso.

Ser várias faz com que eu saia da linha, faz com que as pessoas pensem e eu gosto dessa quebra de expectativas. Primeiro porque a vida é isso e depois porque, mesmo a vida sendo isso, as pessoas ainda não aprenderam a superar essa questão de assumir as diferenças como um todo. A frase “Somos todos iguais” faz sentido para mim, porque, se eu sou uma pessoa diferente a cada dia, se eu sou transformada a cada dia, está tudo bem a diferença acontecer e a gente tem de respeitar isso. É por isso que essa frase diz tanto sobre mim: eu estou diferente a cada momento, eu respeito isso e eu gostaria muito que as pessoas pensassem sobre.

O que ou quem mais te inspira na moda atualmente?

M: Tanto dentro da música como da moda, o que me inspira são pessoas reais que contam suas histórias através da sua fala, da sua roupa e da sua linguagem corporal. O que eu vejo nas ruas me inspira: eu amo caminhar e isso já me inspira muito. Madureira (bairro carioca), Rio de Janeiro, Cidade de Deus (bairro carioca) me inspiram. Eu faço questão de colocar isso dentro do meu trabalho, porque enxergo como algo muito grandioso e que eu gosto de valorizar. Eu também prezo muito pela naturalidade – a fluidez e a leveza de vestir algo que é natural para você transparece. E, ao mesmo tempo que a rua tem essa naturalidade, ela tem a complexidade de todos os assuntos que discutimos diariamente, mas com sagacidade e originalidade. A minha mãe, como pessoa resistente dessa questão do amor próprio, e a minha música também me inspiram na hora de me vestir.

No Viva a Moda, você escolheu destacar a frase “Por que ser uma se eu posso ser várias?”. Por que você escolheu essa frase e o que ela representa no seu atual momento de vida?

M: A frase “Por que ser uma se eu posso ser várias?” está na minha vida, eu diria, desde que eu nasci. Como eu nunca alisei o cabelo, eu sempre fiz muitos penteados. Eu comecei a gostar disso, a gostar de ser diferente. Eu também não tinha grana para comprar roupa. Eu ganhava das minhas tias e usava o que tinha. O meu estilo, eu acho, vem muito disso. Eu gostava de ser diferente e, hoje em dia, quanto mais eu estiver diferente, eu me sinto mais feliz. Eu brinco que eu gosto de ser estranha. Porque o estranho causa uma curiosidade no próximo, é uma disruptura que faz o próximo pensar e eu gosto disso.

Ser várias faz com que eu saia da linha, faz com que as pessoas pensem e eu gosto dessa quebra de expectativas. Primeiro porque a vida é isso e depois porque, mesmo a vida sendo isso, as pessoas ainda não aprenderam a superar essa questão de assumir as diferenças como um todo. A frase “Somos todos iguais” faz sentido para mim, porque, se eu sou uma pessoa diferente a cada dia, se eu sou transformada a cada dia, está tudo bem a diferença acontecer e a gente tem de respeitar isso. É por isso que essa frase diz tanto sobre mim: eu estou diferente a cada momento, eu respeito isso e eu gostaria muito que as pessoas pensassem sobre.